A importância do obstetra na gravidez de risco

Dra. Patrícia Varella Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana Assistida

O obstetra é o médico responsável por acompanhar a gestante durante todo o período de gravidez, além de atender as mulheres que pretendem ou estão tentando engravidar. A palavra obstetra vem do latim obstetrix, que significa “ficar ao lado de”, em referência à sua participação em todo o processo de gestação, inclusive, durante o parto. 

Também considerado o médico da mulher, é de extrema importância buscar esse especialista desde a fase pré-gestacional, quando o médico poderá aconselhar com antecedência e sanar possíveis dúvidas em relação à gravidez. Isso ajuda, e muito, a evitar possíveis complicações durante esse período tão sensível na vida da mulher, fazendo todo um trabalho de prevenção. 

O fato é que a morte por gravidez de risco ainda é um problema de saúde pública no País, apesar do número de casos ter diminuído significativamente ao longo dos anos. 

Para ter uma ideia, em 1990, eram 143 óbitos maternos a cada 100 mil nascidos vivos, e em 2015, esse número caiu para 60, representando uma queda de 58%. E o trabalho de prevenção feito no pré-natal, juntamente com o obstetra, contribui significativamente para reduzir as taxas de mortalidade infantil e materna. 

Uma gravidez de risco pode ser identificada por diferentes tipos de complicações na gestação, no parto, pós-parto e até o primeiro ano de vida do bebê, que em algum grau prejudicam a mãe e a criança. São considerados fatores de risco na gravidez: 

  • Perfis de risco: mãe adolescente (menor de 18 anos) ou com idade acima de 35 anos; peso menor do que 45 kg e maior de 75 kg; dependência de qualquer tipo de droga.
  • Histórico de risco: hemorragias, abortos ou malformações genéticas em gestação anterior.
  • Doenças obstétricas e intercorrências clínicas atuais: diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, trabalho de parto prematuro, hipertensão, doenças infecciosas e autoimunes, etc.

 A importância do obstetra 

Quando se faz um pré-natal criterioso com o seu obstetra de confiança, além das orientações essenciais referentes às mudanças no organismo e a necessidade de adoção de novos hábitos, principalmente físicos e alimentares, as chances de ter uma gravidez saudável e tranquila são muito maiores.

Essa assistência evita que a paciente desenvolva um quadro de anemia, por exemplo, e garante que ela seja informada de todos os riscos e doenças que podem afetar a sua saúde e a do bebê, como os perigos da rubéola e da toxoplasmose nesse período. 

Além disso, somente nas consultas de pré-natal que a futura mãe poderá ter todos os encaminhamentos para a realização dos exames, que são indispensáveis para diagnosticar e tratar patologias comuns na gravidez. A indicação é de se consultar com o profissional a cada 28 dias até a 28° semana de gestação, a partir daí consultas quinzenais até a 35° semana e, então, semanalmente até o parto. 

Os principais exames regulares solicitados pelo médico obstetra são:

  • Ultrasonografias;
  • Dopplerfluxometria;
  • Cardiotocografia (CTG);
  • Laboratoriais.

Dessa forma, oobstetra também poderá acompanhar a saúde do feto, o que permite identificar possíveis anomalias ou outros problemas com antecedência e, assim, entrar com as intervenções terapêuticas necessárias ainda no útero.

 O obstetra na gravidez de risco 

Primeiro, é importante ter em mente que toda gravidez tem riscos. Quando não existem problemas preexistentes ou intercorrências durante a gestação para a mãe ou para o bebê se caracteriza como risco habitual. E quando há algo errado, independente da causa ou nível da gravidade do problema, a gestação já é considerada de alto risco

E o que é alto risco nesse caso? Normalmente se refere à possibilidade de ocorrerem complicações para a mãe e o bebê, parto prematuro ou ter a gestação interrompida. 

Vale ressaltar que a gravidez pode começar como de risco habitual e a qualquer momento se tornar de alto risco, por conta das doenças gestacionais que se desenvolvem durante esse período e podem comprometer o seu curso, quando não controladas. 

Por exemplo, no início da gravidez, podem acontecer sangramentos ou outros sintomas, que podem ser tratados, como o descolamento ovular que aconteceu com a Sabrina Sato. Assim, a gravidez que era de alto risco volta a ser de risco habitual, após ter o problema resolvido.

Já na segunda metade da gravidez, muitas gestantes são surpreendidas pela diabetes gestacional ou doença hipertensiva específica da gestação (DHEG), que é o aumento súbito da pressão arterial. Todas essas são condições que necessitam impreterivelmente aos cuidados do obstetra, que intervirá com o tratamento adequado, ou o controle do quadro.

Da mesma forma, os casos de reprodução assistida – in vitro, por exemplo -, ou gestações múltiplas também devem ser acompanhadas de perto pelo profissional, pois também entram como gravidezes de risco, devido aos perigos inerentes destes tipos de gestação. 

Quer saber mais ou precisa de um acompanhamento profissional? Agenda uma consulta e tire todas as suas dúvidas sobre esse assunto.

Artigo escrito pela Dra. Patrícia Varella 

Ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana assistida

INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dra. Patrícia Varella Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana Assistida

Médica formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia na mesma instituição.
CRM-SP nº 93928